O estado das coisas

Não é fácil dar, quando não temos para nós mesmos….parece Lapalissiano, lógico e um sem número de coisas mais, mas de facto estar em défice emocional económico e etc, faz o país estar desiquilibrado e torna a vida das pessoas balanceante e frágil.

Nada mais acontece como outrora em que as únicas mudanças na vida coincidiam com a licenciatura, entrar na vida activa, ter um casamento com muita gente e fazer listas de casamentos sem fim, e finalmente ter filhos.
Uma vez alicerçados neste status, nada abanaria por longos anos a vida de qualquer português que se preze de ter tido a chance de ter cumprido o estipulado e esperado, pelos pais e pela sociedade.
Até à meia idade as coisas andavam, e a vidinha ia-se compondo para em breve ter mais uma casa onde se passavam fins de semana com amigos lá da empresa ou da escola e do liceu.
As coisas complicavam-se quando a saúde não ajudava, ou quando os filhos não cumpriam as espectativas dos progenitores.
Aí era tão complicado, que muitas vezes era o fim da relação familiar nos seus diversos contextos.
Como não fôra suficiente, na empresa as coisas deixaram de correr bem e gerava-se a catástrofe, a que não faltava o bode espiatório sempre culpado com a queda do império.

Actualmente é tudo mais rápido e as mudanças, catástrofes ou o que se queira chamar estão sempre a acontecer.
Nada mais é imutável e ainda que sejamos todos ou quase todos da era do facebook e das relações estabelecidas na e pela net, não nos apercebemos do que isso significa para a nossa vida.
Mostramo-nos surpreendidos, quando olhamos para o lado e o companheiro ou a companheira já lá não estão.
Aí perguntamo-nos o que fizemos para acontecer tal desastre e não temos resposta, porque por faz tempo nós próprios tínhamos já partido.
Estivemos com os amigos virtuais, reais ou o que seja, que do outro lado só concordam e dizem a tudo que sim.
Entretanto a realidade está ali com tudo o que conseguimos construir e parece-nos pouco, muito pouco mesmo, porque o calor humano esse, partiu.

Olhar em volta sem saber por onde começar para deixar de lado a estranha sensação de estarmos sós e mais sós ficamos quando nos apercebemos que os amigos com quem partilhamos parte do nosso tempo, foram-se, fugiram…mudaram-se para casa de outros com menos problemas e mais capazes de os entreter.

Reparamos então que para além de um monitor e mais umas coisas que ainda temos em casa, nada mais nos resta para dar.

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