A vida por um fio

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Vejo e sinto todos os dias esta fragilidade, esta ausência, esta renúncia pouco convencida de o ser… porque está muito para lá disso. È mesmo do que não se sabe. Nada ou pouco posso fazer ou acrescentar…

É o vazio, e a distância de quem já se foi. No olhar vejo o vazio e sinto no seu corpo a despedida. Cada dia receio telefonar e saber que acabou. A cada dia peço de mim o esforço de estar, de ir e de lhe dar ânimo, mas a minha vontade é fraca e quando dou por mim estou em casa à espera que nada tenha acontecido, toda encolhida e escondida no meu medo.

Tenho medo do fim e de não saber estar à altura de prolongar com qualidade e ânimo a flor mais velha do meu quintal. Mesmo assim ainda me ensina coisas!…

ensina-me a enfrentar a realidade parda, por vezes negra da ideia que temos de morte.

A morte anuncia-se sim senhor.Por vezes abruptamente, outras ela vem vindo assim como quem não quer nada, emprestando às pessoas mais barreiras, menos capacidade, menos vontade, menos força e menos vida. Aos poucos baixam-se os braços, a cabeça enfiada entre os ombros ainda que a fugir ao invitável e finalmente deixamo-nos levar por ela com um suspiro eterno.

As linguagens da comunicação

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A ambiência e a envolvente estética, deixaram-me surpreendida, quase perplexa.
Estava perante todas as linguagens da comunicação não me apercebendo de qual a mais importante.
A música é a mais estridente, mas não a mais surpreendente, do ponto de vista emocional. Serviu para marcar um ritmo, para implementar uma dinâmica … e para deixar ver uma cenografia espantosa, ora bélica, ora mística.

O espectáculo arrasta-nos para algo fascinante que é o espaço universal.
A primeira sensação foi a de uma pequenez imensa, uma grande calma e a perca de referências…de mim, do espaço e das pessoas em volta.

O sentimento era de grandiosidade, no sentido universal do termo.
A enormidade daquele momento estético, sobrepunha-se a tudo.

O som e as imagens, sobretudo estas, faziam-me sentir em comunhão perfeita com o universo, com a natureza, com a vida. Senti o que é ser-se universal, numa completa simbiose com o universo em toda a sua plenitude. Tudo desapareceu numa simbiose perfeita e numa partilha avassaladora que me levou dali, como se de uma partícula se tratasse.
Deixei o meu corpo para trás,era uma outra dimensão. O meu espírito, longe de mim, vagueava, gozando do previlégio único de não ter peso nem volume e de simplesmente se deixar ir. A emoção plena …

A forma de linguagem mais forte foi a das imagens.
A natureza estava ali toda, sem espartilhos, cumprindo a missão de tornar mais belo o quotidiano.

O barulho do projector de slides, marcava o ritmo que era coincidente com o bater do coração. Senti-me a viajar por entre cada uma das cenas passadas, a sentir cada uma das formas e das cores, procurando exaustivamente a razão de serem assim perfeitas.

Perante esta enorme panóplia de sons, cores, formas e texturas, o tempo parou Sentia-me livre, feliz e diferente. Passei a fazer parte das imagens, como elas de mim.

No Alentejo…

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as árvores falam entre si….
Além, a grande planície onde o silêncio tem cor, cheiro e som.
Um som que propicia a meditação e o reencontro connosco.
As árvores estão lá para decorar a paisagem e para oferecer a quem passa,
um repouso à sua sombra.
É assim o Alentejo por esta altura.